quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Verdade acima de tudo

Tenho-me debatido nos últimos dias sobre este assunto e sobre como o ensinar aos meus filhos em especial à Mi.
Resumidamente a Mi e algumas colegas estariam a sofrer algumas rasteiras e pontapés a elas associados que as magoavam e as deixavam bastante ansiosas e tristes. Eu não sabia de nada e andava descansada até uma professora fantástica da Mi, das que realmente se preocupam de verdade, me perguntar o que se passava com a Mi. Fiquei estupefacta, para mim nada se passava... Perguntei à Mi e contou-me que uma colega lhe andava a fazer rasteiras que muitas vezes eram verdadeiros pontapés nas canelas e que isso a magoava e não tinha como parar a colega. Disse-lhe para dizer à colega para parar mas segundo a Mi já tinha dito e não tinha adiantado. Disse à Mi para se defender mas não conseguiu, a Mi não consegue ser agressiva por nada deste mundo. Não quis ser eu a resolver o assunto pois a Mi já tem 11 anos. Soube que havia pelo menos mais duas miúdas bem afectadas e uma quarta também. Já era exagero. Recomendei à Mi contar à Directora de Turma.
Na mesma semana surgiu algo a meu ver grave da turma da Mi. Essa mesma colega, presumo e acredito que sem ser de propósito estragou uma parte do trabalho de grupo da Mi, nomeadamente uma peça que uma outra colega tinha levado. Bem, isto pode acontecer a qualquer um e nada de grave se passaria. Mas a colega da Mi saiu do local onde se encontrava, e voltou a entrar como se ali nunca tivesse estado e simulou desconhecer o sucedido. Perante a professora que perguntou quem fez aquilo negou ter feito algo. Perante a ameaça da professora de penalizar toda a turma caso a pessoa não se acusasse aquela colega nada fez, inclusivamente corroborando o boato de que teria sido outra colega a fazer aquilo. No final da aula, a colega da Mi assumiu ter sido ela a estragar o trabalho mas não quis assumir perante a professora para não ser castigada.
A Mi chegou a casa revoltada no seu sentido de justiça. A Mi é uma criança que não mente, uma criança que não suporta a mentira, não suporta a falsidade e não suporta  injustiça. Vinha revoltada, nervosa, ansiosa e sem saber o que fazer.
Qual era o problema da Mi? Por um lado não queria deixar mal a colega que agira muito mal mas não podia deixar a turma ser prejudicada por algo que sabia quem fez e não podia deixar que outra colega ficasse com as culpas, ainda que por boato, de algo que não fez.
Conversei longamente com a Mi. Pesei com ela os prós e os contras. A Mi, ainda por cima é subdelegada de turma. A Mi decidiu que tinha de contar à professora quem actuou. Não pela gravidade do facto. Estragar um trabalho pode acontecer a qualquer um... mas pelo facto de não ter assumido o seu acto, por ter deixado que toda a turma fosse prejudicada, e por ter deixado que uma outra colega ficasse com as culpas do seu acto. A Mi não podia pactuar com esta situação.
Na aula seguinte tentou, mas com medo não conseguiu falar até que na segunda aula seguinte conseguiu contar à professora o sucedido.
Bom.... estas foram as duas situações que envolveram a Mi e uma colega, a mesma em ambas as situações, por coincidência (...).
A colega foi chamada à atenção pela DT para as rasteiras e defendeu-se mentindo. Tentando dizer que as miúdas também lhe faziam o mesmo quando sabe bem que é mentira. Só ela fazia rasteiras a estas miúdas.... Mas elas estavam tranquilas porque nós, mães, as tínhamos aconselhado a contar.
Quanto à segunda situação, a Mi recebeu várias mensagens no seu telemóvel, escritas por uma outra colega, que segundo sabemos estava com a colega que praticou os factos. Essas mensagens eram de teor grave. Chamavam nomes encapotados à Mi e tentaram convencer a Mi a desistir da verdade e pactuar com a mentira.
A Mi não mente e não pactua com a mentira. Sofreu horrores com essas mensagens mas manteve-se íntegra, como só ela.
A colega já confirmou e já assumiu o que fez.
Penso que a professora desvalorizou a gravidade de a miúda não ter assumido o que fez antes, porque os pais da colega da Mi foram à escola pressionar as duas professoras, a DT e a responsável da disciplina.
O que interessa é que a colega assumiu, a verdade está reposta. Nas duas situações.
Não me sinto nem triste nem feliz pela colega. Espero que tenha saído uma pessoa melhor desta situação, pois aprendeu que não deve agredir colegas, que deve assumir os seus erros e não deve mentir.
Estas regras são para a Mi básicas e fazem parte da sua educação moral e pessoal. É bom ver que as atitudes da Mi servem para ensinar tais regras básicas de convivência a outras crianças que não as sabem.
Mas a grande questão é exactamente se estamos a ensinar os nossos filhos a serem verdadeiros?
A Mi sofreu pressões, ouviu chamarem-lhe nomes, ameaças e mesmo assim manteve-se fiel à verdade. Quantas crianças aguentariam o que a Mi aguentou? Estaremos nós a ensinar os nossos filhos para defenderem a verdade acima de tudo? Eu sei que no caso da Mi não falhei e espero conseguir o mesmo como os manos, mas acreditem que me custou e custa horrores ver o que ela sofreu e sofre.
As melhores amigas apoiaram a Mi e estiveram do lado dela. As mães das melhores amigas também. Crescemos todas com isto e penso que foi uma lição de vida que a Mi deu a todos e a mim. Eu não sei se aguentaria o que a minha filha aguentou..... Só espero que todos nós estejamos à altura da Mi...
Que orgulho da minha filha! Grande menina

4 comentários:

  1. Minha querida amiga, as nossas filhas são o que aprendem em casa...A escola ensina, mas nós é que educamos, é que transmitimos os valores fundamentais...Se calhar essa menina não tem quem lhos transmita. A tua Mi tem a sorte de ter uns pais como vocês.

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